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Poesia

Às vezes

Às vezes penso
que tudo é inútil.
Os sonhos,
a beleza
e a poesia…

Às vezes
desejaria adormecer
e não mais sentir
a minha alma que sofre
e esta solidão
imensa.

Às vezes choro
porque os campos
não são sempre verdes,
porque as flores
murcham ao serem pisadas,
porque há meninos na guerra
e porque, por vezes, 
o vento não é mais brisa;
é tempestade.

Às vezes
gostaria de voltar atrás,
ao Paraíso
onde Deus e o ser humano
viviam unidos e em paz.
E sinto dentro de mim mesma
uma necessidade enorme
de paz com Deus
e amor com os habitantes da Terra.

O mundo é um campo extenso
de prisioneiros,
e a vida uma fada estranha
sempre a girar.
O homem arma-se em senhor,
mas não passa de simples servo
dos seus preconceitos,
dos seus vícios,
das suas normas sociais.

E a vida?
A vida é muitas vezes dolorosa
e poucas vezes bela.
Quase nunca.
Porque a fazemos assim.

Às vezes sinto tristeza
porque as coisas são como são.
E porque as pessoas
têm sempre a desculpa,
crónica e irremediável, 
para os seus erros:
“Somos humanos…”

Às vezes canto
para tentar unir-me
aos pássaros que voam livres,
e ao fumo que é negro
e não se consegue prender.

Às vezes penso
que tudo é inútil
em mim
e em toda a gente do mundo:
os sonhos,
a beleza
e a poesia…

Escrita em 09-08-1976

4 comentários a “Às vezes”

Muito linda a poesia irmã Margarida. Ao lê-la fez-me lembrar e refletir sobre o que Salomão escreveu em eclesiastes, “tudo é ilusão”. A cada dia percebo que a única coisa boa aqui é servir ao Senhor e aos outros pois para a sepultura onde vamos não há obra alguma, então tudo quanto vier a mão para fazer, façamos conforme nossas forças. Ainda estou descobrindo como controlar minha mente, coração e língua. Beijinhos grandes e que nosso Paizinho a abençoe grandemente.

Obrigada Marcelly pelas tuas palavras. Pois é, todas temos lutas comuns na nossa vida espiritual. Às vezes estamos fortes no Senhor, outras vezes estamos no meio de uma tempestade emocional que nos abala. Deus é verdadeiramente o nosso refúgio e fortaleza em quaisquer circunstâncias. Obrigada pela tua inspiração constante. Um beijinho com saudades.

Que belo poema Margarida! Muitas vezes o que nos consome de tristeza não o manifestamos e é uma alegria e conforto notar que ainda há cristãos que expõem o seu coração para testemunhar da sua humanidade e das vitórias alcançadas

Obrigada Nina pelo incentivo.
Tenho montes de coisas escritas em cadernos… nada de especial,mas tirá-las do escuro e partilhá-las é assim uma emoção difícil de descrever. Obrigada.´

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