
Às vezes penso
que tudo é inútil.
Os sonhos,
a beleza
e a poesia…
Às vezes
desejaria adormecer
e não mais sentir
a minha alma que sofre
e esta solidão
imensa.
Às vezes choro
porque os campos
não são sempre verdes,
porque as flores
murcham ao serem pisadas,
porque há meninos na guerra
e porque, por vezes,
o vento não é mais brisa;
é tempestade.
Às vezes
gostaria de voltar atrás,
ao Paraíso
onde Deus e o ser humano
viviam unidos e em paz.
E sinto dentro de mim mesma
uma necessidade enorme
de paz com Deus
e amor com os habitantes da Terra.
O mundo é um campo extenso
de prisioneiros,
e a vida uma fada estranha
sempre a girar.
O homem arma-se em senhor,
mas não passa de simples servo
dos seus preconceitos,
dos seus vícios,
das suas normas sociais.
E a vida?
A vida é muitas vezes dolorosa
e poucas vezes bela.
Quase nunca.
Porque a fazemos assim.
Às vezes sinto tristeza
porque as coisas são como são.
E porque as pessoas
têm sempre a desculpa,
crónica e irremediável,
para os seus erros:
“Somos humanos…”
Às vezes canto
para tentar unir-me
aos pássaros que voam livres,
e ao fumo que é negro
e não se consegue prender.
Às vezes penso
que tudo é inútil
em mim
e em toda a gente do mundo:
os sonhos,
a beleza
e a poesia…
Escrita em 09-08-1976
