
Neste mês de Junho, em que falamos da Igreja…
Nesta altura em que estudamos na Escola Dominical o livro de Actos dos Apóstolos, que nos fala do testemunho dos irmãos das primeiras igrejas…
Também porque estamos num período em que procuramos estimular as nossas igrejas na Campanha de Evangelização em que estamos envolvidos…
Eu gostaria de compartilhar com os irmãos alguns pensamentos inspirativos sobre a vida de um casal fascinante: Priscila e Áquila, exemplos de consagração ao Senhor.
O meu desejo é que os irmãos e amigos sejam desafiados a viverem uma vida de constante dedicação e amor.
Priscila e Áquila são inseparáveis.
Aparecem sempre juntos em todos os textos do Novo Testamento que os nomeiam. Eles tinham a mesma profissão, o mesmo alvo de vida, a mesma consagração ao Senhor.
Eles aparecem pela primeira vez no livro de Actos, no capítulo 18: 2, 3.
O apóstolo Paulo está na sua segunda viagem missionária. Vem de Atenas e chega a Corinto. Nessa cidade, encontra Áquila e Priscila.
Actos 18: 1-3
Aquila era judeu, natural do Ponto, uma província da Ásia Menor.
Priscila é mulher de Áquila.
Previamente, eles tinham vivido em Itália. Foram expulsos de Roma pelo édito do Imperador Cláudio, cerca de 50 D.C., provavelmente por causa do Cristianismo.
Neste texto, encontramos as primeiras características deste casal:
o Companheirismo e a Amizade
Como podemos notar tanto um como outro eram fabricantes de tendas. Paulo tinha também o mesmo ofício. Aqui está uma primeira afinidade – a mesma profissão que os uniu num mesmo lugar. Era muito comum os trabalhadores de uma mesma actividade unirem-se em guildas* reunindo-se em certos lugares. Os judeus tinham muito este hábito. *[Organização de mercadores, de operários ou artistas ligados entre si por um juramento de entreajuda e de defesa mútua. “guilda”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/guilda [consultado em 29-12-2020].
Certamente, esta relação de amizade tornou a tarefa mais agradável. Certamente eles teriam longos momentos de conversa sobre Jesus. Provavelmente, Paulo explicou-lhes toda a doutrina e fé cristãs.
Essa amizade aprofundou-se. Paulo começou a viver com este casal e juntos se dedicavam ao trabalho e ao testemunho do Evangelho diariamente.
Quão bom é poder trabalhar na companhia que se mostram simpáticas e acolhedoras. Para a maioria das pessoas a vida diária seria intolerável sem relações humanas, sem companheiros, sem amigos.
Essas relações aquecem o coração da pessoa assim como uma lareira aquece a casa. Elas tornam mais suportáveis as dificuldades da existência e permitem que haja conforto no sofrimento e problemas diários.
Quem não sente necessidade da compreensão, do suporte, do amor de um amigo?
Não admira, portanto, que Paulo tenha falado tantas vezes e com tal afecto acerca destes dois amigos que tão bem o receberam.
Quando Paulo partiu para Éfeso, Priscila e Áquila acompanharam-no. Paulo deixou-os naquela cidade e desceu a Antioquia.
Actos 18: 24-26
Outra característica deste casal que encontramos neste texto é
a Hospitalidade e a Ajuda
Apolo era um grande pregador. Um judeu eloquente e conhecedor das Escrituras. Ao passar por Éfeso, lá estavam Priscila e Áquila a ouvi-lo atentamente na sinagoga.
Assim como tinham recebido Paulo, assim também este casal convidou Apolo para ir a sua casa. Ali, eles dispuseram-se a ajudar este servo do Senhor, instruindo-o no conhecimento dos caminhos de Deus.
É uma bênção para qualquer servo de Deus encontrar uma casa hospitaleira assim, encontrar pessoas que compartilham da sua experiência e conhecimento dos caminhos do Senhor. Certamente que todos os trabalhadores do Evangelho têm a ganhar, como Apolo, do contacto dos irmãos que têm as portas da sua casa e os seus corações abertos para servir ao Senhor.
A preeminência conferida a Priscila nesta instrução dada a Apolo subentende que ela era uma mulher de cultura, talvez acima do comum, uma estudiosa das Escrituras, uma mulher apta e consagrada, a ponto de ajudar um pregador a compreender melhor a verdade do Evangelho.
Mais tarde, encontramos novamente este casal, mas em Roma. Eles são saudados na carta que Paulo escreveu aos Romanos.
Romanos 16: 3-5
Neste texto também encontramos mais algumas características desta família consagrada.
O apóstolo Paulo saúda-os com grande afeição e elogia-os pela sua
Cooperação e Coragem
Paulo dá a entender que, ao servirem com ele, por serem seus companheiros de luta, Priscila e Áquila, por mais de uma vez, poderiam ter sido mortos no meio das tribulações e ameaças que assediavam o apóstolo. Eles tinham arriscado as suas vidas por Paulo. E isso mostra a sua renúncia própria, a sua entrega e consagração a favor do Evangelho. Quão bom é que os obreiros, os líderes do trabalho do Senhor encontrem pessoas dedicadas, apoiando-os até à renúncia própria, com prejuízo das suas próprias vidas pela causa do Reino De Deus.
Ainda nesta saudação do apóstolo Paulo, eles são apresentados como um casal que
dedica o seu lar e as suas vidas inteiramente ao Senhor.
Esta dedicação era também uma das suas características. O texto diz que todas as igrejas dos gentios estavam gratas. Eles eram conhecidos pelo seu testemunho em todo o lado.
É uma tentação continuar a preencher os espaços omissos com características deste homem chamado Áquila e desta mulher chamada Priscila. Eles foram certamente figuras centrais, instrumentos nas mãos de Jesus Cristo naqueles territórios e naquela época.
Em vários textos se foca a igreja que estava em sua casa, tanto em Éfeso como em Roma. Onde quer que fossem, sempre os encontramos abrindo a sua casa como centro de fraternidade cristã e serviço. Certamente seria um lar que irradiava simpatia e amor. Um lar que era uma luz, anunciando Jesus a quem quisesse ouvir.
* Pregada na IB S. João da Madeira em 18 de Junho de 1989
* Pregada no Acampamento Baptista (Acampamento Familiar em 19-26 Julho 1970)