“Não me instes para que te deixe, e me afaste de ao pé de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu, e onde quer que pousares, à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada: me faça assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa, que não seja a morte, me separar de ti.” Rute 1:16-17
Estas palavras de Rute, dirigidas a sua sogra Noémi, apresentam uma das declarações bíblicas de afeição mais extraordinárias e um dos mais belos compromissos de amor expressos na literatura mundial.
Numa sociedade onde tudo é superficial e descartável, até os próprios relacionamentos familiares, que, em princípio deveriam ser mais estáveis, e mesmo indissolúveis, se tornaram passageiros, incertos e frágeis.
Os laços enfeitam e embelezam. Os laços prendem. Os laços de família lembram relação, envolvimento, comunicação, afectos. Mas há laços como nós, muito apertados e difíceis de se desatarem. E há laços soltos, sempre a desfazerem-se e difíceis de manter.
O ser humano precisa de laços familiares para o seu desenvolvimento equilibrado. A verdade é que, vezes demais, os laços familiares são tão fraquinhos e inseguros que transformam vidas humanas em pessoas desamparadas, frustradas, amarguradas, desajustadas…
Como estão atados os laços na vossa família? Gostaria de vos desafiar a estreitarem os vossos laços de tal maneira que se transformem em nós que não se desatem, nem com o passar dos anos nem com as situações da vida. Como?
– Criem ambiente de aceitação e respeito em relação a cada membro da família; – Valorizem-se e afirmem-se mutuamente; – Aprendam a aceitar as diferenças, os temperamentos, os gostos; – Vejam o outro como um complemento indispensável para a harmonia familiar; – Cultivem o diálogo, a intimidade e o tempo para estarem presentes; – Toquem, abracem, dêem as mãos, perdoem, caminhem juntos…
Os compromissos que fazemos são laços que atamos. E se nos esforçarmos por honrar os nossos compromissos, os laços que nos unem aos nossos familiares irão, certamente, ser tão fortes e bonitos que se tornam absolutamente indissolúveis e auto-satisfatórios. Seja pelos laços de consanguinidade, seja pelos laços de afinidade, que o amor incondicional possa unir os membros da nossa família!
Publicado na revista Lar Cristão – A Missionária Editorial 3T2007
Não há um curso de formação para aprendermos a prepararmo-nos para o casamento e a arte de permanecermos casados. Não há uma escola para aprendermos a ser pais. Não há uma universidade para aprendermos os truques necessários para desenvolvermos relacionamentos saudáveis no âmbito familiar.
A natureza da maternidade, a intuição, os modelos paternos, a experiência da vida, as lições que tiramos dos erros que cometemos, os conselhos de quem já passou pelo mesmo, as palestras e os sermões que de vez em quando ouvimos e, claro, aquilo que lemos são fontes de preparação e aquisição de conhecimentos que nos capacitam para realizarmos o nosso papel no plano familiar com muito mais qualidade e com maior possibilidade de contribuirmos para uma família feliz.
É através da leitura que obtemos muita informação importante, que esclarecemos muitas dúvidas, que desenvolvemos competências, que compreendemos melhor as pessoas nos seus processos de desenvolvimento e nos seus estágios comportamentais. A leitura enriquece-nos como pessoas e contribui para a estruturação da nossa vida nas mais diversas vertentes.
Por isso, o cristão é um leitor por excelência. Não pode ser de outro modo. A começar pela leitura diária da Bíblia, pela leitura de devocionais inspirativos, pela leitura de livros de estudo bíblico, e continuando com a leitura dos mais diversos géneros literários. Quanto mais se lê, mais cresce a paixão pela leitura e mais adquirimos conhecimentos sobre os quais vamos edificando a nossa vida.
A nossa revista Lar Cristão faculta-nos uma leitura leve, mas que contribui de uma maneira muito importante para nos informar e encorajar a exercer os valores cristãos na nossa família, além de poder ser também um bom instrumento para dar a conhecer os princípios de Deus para a vida pessoal e para a família àqueles leitores que necessitam de compreender melhor a fé cristã. Numa altura, como é a nossa época, em que a própria definição do que é uma família está a ser deturpada constantemente, em que as próprias famílias cristãs estão a passar por crises muito complicadas, é muito importante socorrermo-nos de leituras que nos estimulem a permanecer firmes e comprometidos com a vontade de Deus para as nossas famílias.
A leitura é, por assim dizer, um curso de formação, uma escola, uma universidade. Os livros, as revistas, os jornais não vão acabar. Seja qual for a forma como se nos apresentam, eles são instrumentos preciosos para o nosso desenvolvimento como pessoas e sobretudo, como cristãos. Encha a sua casa de livros, no seu orçamento doméstico destine sempre uma verba para leituras. Use e abuse das Bibliotecas. Comunique a paixão pela leitura às novas gerações. Uma família que lê é uma família mais feliz!
“Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão uma só carne.” (Génesis 2:24)
Estamos demasiado ocupados, demasiado atarefados com tudo e com todos, e a pouco e pouco afastamo-nos um do outro, arrefecemos, esquecemo-nos do romance.
Depois de algum tempo de casamento parece que o prazer de compartilhar os nossos sonhos, esperanças, medos e sentimentos ficou perdido num passado distante que não volta mais.
Estamos cada vez mais longe um do outro. O diálogo é cada vez mais curto e superficial. O entusiasmo pelas realizações um do outro já não existe. O tempo em que estamos sós é aborrecido, vazio, sem interesse. Começamos a planear actividades em que sempre está mais alguém: filhos, amigos, familiares.
A distância vai-se alargando; a separação é cada vez mais notória. O relacionamento está ameaçado.
INTIMIDADE! Precisa-se!
Intimidade no casamento significa que o casal está envolvido pelo espírito de “uma só carne”. Significa uma relação íntima de amor onde o marido e a esposa aprendem a conhecer, compreender e respeitar os pensamentos mais pessoais e privados um do outro.
Numa altura em que o homem e a mulher estão extremamente absorvidos com demasiadas tarefas que exigem tanto do seu tempo e energia, não há mais espaço e disponibilidade para serem amigos.
Companheirismo, um intercâmbio activo entre o marido e a esposa, é o que o casal precisa. Não importa a idade, a actividade que desempenham, o dinheiro que têm ou o nível académico. Duas pessoas unidas para compartilhar suas vidas precisam de desenvolver uma certa cumplicidade, uma amizade verdadeira, uma intimidade que faça perdurar o casamento duma maneira satisfatória e plena para cada um como pessoa e para o bem de toda a família como um todo.
INTIMIDADE! Como?
Prestar atenção aos sinais de alarme
O amor entre duas pessoas não acaba de um momento para o outro. No casal não há só um culpado quando o relacionamento não vai bem. Não são coisas exteriores as principais determinantes da relação. Muitas vezes o casal negligencia os sinais de alarme do seu relacionamento, da sua quebra de intimidade.
Atenção! Quando não sentem mais alegria em estar juntos; quando ir para casa parece aborrecido; quando confidenciam muito mais com uma pessoa de fora; quando a vida sexual é fria e sem interesse; quando começam a evitar-se; quando não fazem mais surpresas um ao outro; quando os desacordos começam a dar origem a discussões sérias e a ataques um ao outro… e muitos outros pormenores.
Tirar tempo para estar juntos
Quando o casal faz uma actividade comum há maior oportunidade para compartilhar, para criar laços de amor mais fortes e profundos, para exercer uma certa cumplicidade numa coisa que dá prazer aos dois. E não é necessário que seja muito tempo, mas que as oportunidades sejam ricamente aproveitadas, não em actividades paralelas mas interactivas.
Não devem ter receios de quebrar com hábitos, de experimentar coisas novas, mesmo que à partida as achem desinteressantes.
Tentem planear, porque isso não destruirá a espontaneidade, mas criará a oportunidade. Marquem e cumpram, não deixando que outras coisas interfiram nesse tempo que decidiram separar só para vós.
Compartilhar e envolver-se no trabalho e passatempos um do outro
Alegrar-se verdadeiramente com o entusiasmo que cada um sente naquilo que gosta e naquilo que faz é uma maneira de compartilhar emoções.
Partilhar experiências das actividades diárias, desabafar angústias e dificuldades, pedir um conselho para tomar uma decisão, sentir que alguém muito querido nos ouve e dá valor ao que nos acontece é muito entusiasmaste e cria ligações muito fortes entre duas pessoas.
Considerar a importância dos gestos físicos
As coisas que fazem parte da rotina diária: televisão, crianças, obrigações e exigências profissionais, tarefas caseiras, etc. podem acabar por interferir muito negativamente. É possível que, ocupados e perturbados com todas estas coisas, o marido e a esposa não tenham olhado um para o outro durante meses.
Há necessidade que parem para se olharem nos olhos, trocar carícias e dizerem coisas bonitas um ao outro. Criar um ambiente de romance, cheio de pequenas atitudes carinhosas é muito estimulante.
O amor manifesta-se com gestos e atitudes de afecto, ternura, compreensão e atenção. Saber que se ouve e pensa um no outro fortifica a relação. Os sinais físicos de afecto são importantíssimos – sem vergonha nem constrangimento. Duas pessoas que se amam gostam de se tocar e devem fazê-lo.
Criar uma atmosfera de abertura, segurança e disponibilidade
Deve haver um esforço de ambos em expressar abertura e vontade de compartilhar a vida.
Estar pronto para ouvir, ter vontade de participar e respeitar tenderias, temperamento e gostos. Aprender a conhecer em que é que o outro gosta de passar o tempo, estar atento aos objectivos e sonhos que o outro gostaria de realizar.
Dialogar é importantíssimo: trocar opiniões, contar experiências, comentar acontecimentos, permitir a expressão de sentimentos.
Saibam que podem contar um com o outro em quaisquer circunstâncias. O amor cresce quando há confissão e perdão.
INTIMIDADE! Só com ela o amor perdura!
TEXTO PUBLICADO “A Missionária” Revista do Lar Cristão 95 – Abril a Junho de 1991 p.22
O culto terá como texto bíblico base o Salmo 128. Será importante fazer um powerpoint com os tópicos e respectivo versículo, principalmente.
Para este culto pode escolher duas opções: Por famílias ou por elementos da família (avós, pais, mães, filhos, netos…).
Elaborar o programa do culto adaptando estas sugestões e incluindo algumas outras ideias que têm a ver com a igreja especificamente.
Ensaiar o tempo de adoração, as participações musicais, as leituras e as apresentações.
Contactar as famílias antecipadamente para que haja tempo de preparação das mesmas.
Sugerimos que o maior número de famílias da igreja possa participar nos diversos elementos do culto. Atribua cada elemento a uma família.
Faça a decoração do salão de cultos, sobretudo a área da frente, com elementos mencionados no Salmo 8, por exemplo: um cartaz com imagem de um caminho, um homem a trabalhar com as mãos – carpinteiro, pescador, agricultor, etc. ou só as mãos, uma mesa de refeição da família (posta com bom gosto), uma videira com uvas (seria melhor um tronco mesmo e um cacho de uvas frescas, se possível), um tronco de árvore, azeitonas, um símbolo de paz, uma imagem de família que inclua diversas gerações (pode ser estilizada e recortada…)
Outra alternativa é fazer quadros vivos/ou quadros de sombras à medida que os versículos vão sendo apresentados. Sempre que há mudança de versículo, haverá novo quadro vivo a ilustrar. Isto exige um pequeno grupo (de adolescentes e jovens, por exemplo, que se dediquem a esta parte do culto.
Adequação dos elementos sugeridos para o tempo de culto – Se for um culto normal de 1h00, seleccionar apenas o que for exequível. Se for um dia especial da família (com parte espiritual e parte recreativa e até completado com uma refeição) pode-se prolongar com mais alguns testemunhos, cânticos e oração.
1. A família abençoada é feliz “Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos” (v.1) Hino – HCC 329 – “Sou feliz” (participação de 1 família) Testemunho – sobre passar por circunstâncias difíceis e sentir que Deus esteve com a família Oração – Pequenas frases de louvor e gratidão (Pode ser programada, pedindo antecipadamente a 2 pais, 2 mães, 1 avó e 1 avô, 2 filhos jovens, 2 netos crianças) Hino – HCC 444 – Conta as bênçãos (Congregação)
2 . A família abençoada é sustentada por Deus “Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem” (v.2) Hino – Te agradeço – por tudo o que tens feito (por 1 família) Oração – gratidão pelo cuidado e sustento de Deus; intercessão pelas famílias que estão a passar por dificuldades (falta de trabalho,falta de salários, falta de saúde, afastamento da igreja, etc.)
3. A família abençoada é suporte para todos os seus membros “A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa” (v. 3) – Testemunho das Mães que Oram – Testemunho de uma mãe mais velha e uma mãe muito jovem Cântico – HCC 202 -“Ele é meu e teu Senhor” (congregação)
4. A família abençoada teme a Deus “Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor.“ (v. 4) Textos bíblicos – Valores de Deus para a FAMÍLIA (Acróstico) Hino – “Cristo, o Alicerce” (Congregação)
5. A família abençoada é bênção para os outros “O Senhor te abençoará desde Sião, e tu verás o bem de Jerusalém em todos os dias da tua vida” (v.5) Jogral – “Deus dá bênçãos à família” (por uma família)
6. A família abençoada experimentará as promessas de Deus E verás os filhos de teus filhos. Haja paz sobre Israel (v.6) Hino – HCC 25 – “Tu és fiel Senhor” (por uma família) Levantamento das Ofertas Oração de gratidão
Pregação – Salmos 128 – Deus e a família Bênção sobre as famílias – Números 6:24-26 Cântico (música do 580 CC) Vem, visita a família, ó Bendito Salvador Sem tua graça, ela murcha, ficará sem vigor Fortalece, fortalece a família, ó Senhor! Fortalece, fortalece a família, ó Senhor!
ACRÓSTICO– Valores de Deus para a Família (fazer um cartaz para cada pessoa com as letras da palavra FAMÍLIA)
F – FAZER COMPROMISSOS – “Eu e a minha família serviremos ao Senhor” (Josué 24:15)
A – AGRADAR e TEMER a Deus – “Mas o amor leal do Senhor, o seu amor eterno, está com os que o temem e a sua justiça com os filhos dos seus filhos, com os que guardam a sua aliança e se lembram de obedecer aos seus preceitos.” (Salmos 103:17-18)
M – MANTER A UNIÃO – “Mas no princípio da criação Deus ‘os fez homem e mulher’. ‘Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”. (Marcos 10:6-9)
I – INTERESSAR-SE e CUIDAR da família – “Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente. “ (I Timóteo 5:8)
L – LEMBRAR-SE e HONRAR a família – “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor,o teu Deus, te dá. (Êxodo 20:12)
I – INSTRUIR os filhos – “O filho sábio ouve a instrução do pai; mas o esclarecedor não escuta a repreensão” (Provérbios 13:1)
A – AMAR e PERDOAR – “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo.” (Efésios 4:32)
JOGRAL – Deus dá bênçãos à família
T – Deus dá bênçãos às famílias 1 – Sim, Deus abençoa as famílias que reconhecem os valores divinos 2 – e obedecem às leis de Deus 3,1 – Deus dá bênçãos aos pais 4 – que procuram viver de acordo com a vontade de Deus 2 – Deus abençoa os pais que dão exemplo de cristãos verdadeiros na sua vida diária.
T – Deus, dá bênçãos aos pais 4 – Sim, Deus abençoa os maridos no seu trabalho 1 – porque eles são honestos e empenhados em tudo o que fazem 3 – Por isso, receberão o seu salário e a recompensa pelo seu esforço. 2,1 – Deus dá bênçãos aos pais 4 – Quando nas circunstâncias difíceis eles confiam em Deus 3 – E esperam no Senhor para tudo correr bem.
T – Deus, dá bênçãos às mães 4 – E elas serão bem sucedidas naquilo que fizerem. 3, 2 – Deus abençoa as esposas 1 – Elas são como plantas bonitas dentro de casa 2 – Elas são como plantas que dão frutos doces
T – Deus, dá bênçãos às famílias 1 – Que procuram reunir-se à volta da mesa da refeição 3 – para conviverem 2 – Deus abençoa a família com filhos saudáveis 4 – Deus abençoa os filhos que se desenvolvem com equilíbrio 1,3 – E como as oliveiras dão os seus frutos no tempo certo 2,4 – Que aprendem com os seus pais a amar e a respeitar Deus. 1 – E que enriquecem a família com as suas vidas 3 – E que contribuem para a felicidade dos seus pais e mães.
T – Deus, dá bênçãos aos membros da família 4- Que buscam realizar a vontade de Deus acima de todas as coisas. 2,3 – Deus, abençoa os membros da família 1 – E os seus testemunhos contribuirão para uma sociedade melhor
T – Deus, abençoa as famílias 4 – para que elas sejam bênçãos no seu prédio, 3 – no seu bairro e na sua cidade.
T – Deus, abençoa as famílias 2 – para que elas sejam bênção para o povo de Deus 1 – para que enriqueçam, com seu exemplo e dedicação, as suas igrejas.
T – Deus, dá bênçãos à família 1,2 – Para que amem ao Senhor 3,4 – De geração em geração
T – Deus, abençoa as famílias 4,1 – Para que sejam bênçãos no seu país
T – Deus, abençoa as famílias 2,3 – Para que contribuam para a paz da sua nação. 1 – Deus, abençoa os pais 2,3 – Deus, abençoa as mães 3,4 – Deus, abençoa os filhos 4,1, 3 – Deus, abençoa os netos 1, 2, 4 – Deus, abençoa todos os membros da família.
No outro dia, num “talk-show” televisivo, ouvi um especialista afirmar, a propósito dos problemas relacionados com o abuso de crianças, mais ou menos o seguinte: “Há algo importante que devemos notar; é que a falta de afecto influencia o crescimento da criança. A hormona do crescimento não se desenvolve se não há manifestação afectiva.”
Quem não gosta de um beijinho, de um abraço bem apertado, de um sorriso de cumplicidade, de um elogio, de uma palavra meiga, de um pressentindo carinhoso?
Faz bem ao coração, entusiasma, acalma angústias, sara feridas, cura dores físicas…
Os afectos são essenciais à vida.
É no núcleo familiar que se manifestam os afectos de modo mais influente. A sua ausência ocasiona tristeza e separação, destruição de laços, congelamento emocional.
A abundância de afectos é pacificadora, transmite segurança, eleva a autoestima, estimula à realização, incentiva à partilha e à relação.
Uma família amorosa e afectiva é um oásis no meio de um mundo cada vez mais individualizado.
Ser membro de uma família que serve a Deus e procura viver em função do amor de Deus, em cada acto do dia a dia, é ser, sem dúvida, uma pessoa feliz e equilibrada.
A “Revista do Lar Cristão – A Missionária” que falar à sua experiência de vida.
Quer participar na formação de famílias felizes!
Desejamos que este e outros temas possam ajudar-nos a reflectir e a burilar atitudes e mentalidades.
Hoje, abrace alguém com muita ternura, diga ao seu filho que o ama, elogie o trabalho do seu colega… dê a mão ao seu marido ou à sua esposa… expresse a sua afeição…
ARTIGO PUBLICADO Revista do Lar Cristão – A Missionária 120-121 Junho a Agosto e Setembro a Dezembro de 2000 Editorial, p.3
O marido tinha deitado gasolina em cima da esposa e tinha-lhe pegado o fogo!
Segundo os familiares e vizinhos, isso foi o culminar de uma vida inteira de agressões.
E tudo tinha piorado quando os filhos saíram de casa.
Ele estava mais à vontade para a encher de pancada, diziam.
A notícia dizia ainda que, quando a viu entrar para a ambulância, o marido chorava pedindo que lhe perdoasse porque estava arrependido.
Esta é apenas uma, entre dezenas de notícias que, diariamente, chegam ao nosso conhecimento.
A violência doméstica tem sido alvo da nossa atenção, dada a proporção com que acontece no nosso país. Procuram-se causas, discutem-se consequências, arranjam-se soluções.
Explica-se pela mentalidade machista, pela miséria, pelo alcoolismo.
Fala-se nas marcas físicas e psicológicas que deixa nas crianças, no sofrimento que provoca na família.
Promulga-se mais uma lei. Há gabinetes de Estado para os assuntos da família.
Tristemente, temos de admitir que a violência no lar está longe de ser debelada. Porque há muitas formas de violência. Formas que, normalmente, como costumamos dizer, “não matam, mas moem”.
Refiro-me, por exemplo, às palavras. As coisas que os membros da família dizem uns aos outros em forma de agressão pessoal: “tu és um estúpido…”, “és sempre a mesma coisa…”, “o menino é mau…”.
E as discussões acesas de gritos, de asneiras, de ameaças.
Há também a ausência de palavras. O silêncio agride, quando o que é preciso é diálogo.
Cônjuges que não falam um para o outro, às vezes, dias seguidos.
E que dizer das ironias, das piadas, das indirectas, dos comentários negativos à sogra?
Chocante? Talvez não tanto, à primeira vista, como deitar gasolina sobre a pessoa e deitar-lhe fogo. Mas, como é que a família pode subsistir saudável e feliz a um ambiente de agressividade contínua? Família, em que cada membro luta pela sobrevivência emocional, descarregando fora de casa as suas frustrações de variadas maneiras, muitas vezes evidenciando claramente o que recebem lá dentro.
Haverá soluções capazes de recolher os cacos e restaurar as vidas de crianças, jovens, adultos – membros de famílias desfeitas pela violência, pelas atitudes negativas, demolidoras e humilhantes?
Não parece um caminho fácil, com transformações radicais ou crescimento instantâneo.
Mas a verdade é que Deus, cujo plano para a humanidade foi desde o princípio a vida em família, tem poder restaurador e transformador de vidas.
A verdade é que a Sua Palavra ensina, exorta, aconselha, consola e liberta.
Famílias felizes?
Uma realidade possível depois da violência?
Sim. Com Deus na vida de cada um dos seus membros e a Sua Palavra praticada no lar.
A Revista do Lar Cristão quer falar-lhe do plano de Deus para si, do alvo de Deus para a sua família. Regularmente vamos estar consigo, pois queremos falar-lhe desta e doutras questões que o levem a reflectir e, porventura, desafiando-o e tocando a sua própria experiência de vida, o encorajem a caminhar cada vez mais na vontade de Deus.
ARTIGO PUBLICADO A Revista do Lar Cristão – A Missionária 119 – Abril a Junho de 2000 Editorial, p.3
Nesta altura em que estudamos na Escola Dominical o livro de Actos dos Apóstolos, que nos fala do testemunho dos irmãos das primeiras igrejas…
Também porque estamos num período em que procuramos estimular as nossas igrejas na Campanha de Evangelização em que estamos envolvidos…
Eu gostaria de compartilhar com os irmãos alguns pensamentos inspirativos sobre a vida de um casal fascinante: Priscila e Áquila, exemplos de consagração ao Senhor.
O meu desejo é que os irmãos e amigos sejam desafiados a viverem uma vida de constante dedicação e amor.
Priscila e Áquila são inseparáveis.
Aparecem sempre juntos em todos os textos do Novo Testamento que os nomeiam. Eles tinham a mesma profissão, o mesmo alvo de vida, a mesma consagração ao Senhor.
Eles aparecem pela primeira vez no livro de Actos, no capítulo 18: 2, 3.
O apóstolo Paulo está na sua segunda viagem missionária. Vem de Atenas e chega a Corinto. Nessa cidade, encontra Áquila e Priscila.
Actos 18: 1-3
Aquila era judeu, natural do Ponto, uma província da Ásia Menor.
Priscila é mulher de Áquila.
Previamente, eles tinham vivido em Itália. Foram expulsos de Roma pelo édito do Imperador Cláudio, cerca de 50 D.C., provavelmente por causa do Cristianismo.
Neste texto, encontramos as primeiras características deste casal:
o Companheirismo e a Amizade
Como podemos notar tanto um como outro eram fabricantes de tendas. Paulo tinha também o mesmo ofício. Aqui está uma primeira afinidade – a mesma profissão que os uniu num mesmo lugar. Era muito comum os trabalhadores de uma mesma actividade unirem-se em guildas* reunindo-se em certos lugares. Os judeus tinham muito este hábito. *[Organização de mercadores, de operários ou artistas ligados entre si por um juramento de entreajuda e de defesa mútua. “guilda”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/guilda [consultado em 29-12-2020].
Certamente, esta relação de amizade tornou a tarefa mais agradável. Certamente eles teriam longos momentos de conversa sobre Jesus. Provavelmente, Paulo explicou-lhes toda a doutrina e fé cristãs.
Essa amizade aprofundou-se. Paulo começou a viver com este casal e juntos se dedicavam ao trabalho e ao testemunho do Evangelho diariamente.
Quão bom é poder trabalhar na companhia que se mostram simpáticas e acolhedoras. Para a maioria das pessoas a vida diária seria intolerável sem relações humanas, sem companheiros, sem amigos.
Essas relações aquecem o coração da pessoa assim como uma lareira aquece a casa. Elas tornam mais suportáveis as dificuldades da existência e permitem que haja conforto no sofrimento e problemas diários.
Quem não sente necessidade da compreensão, do suporte, do amor de um amigo?
Não admira, portanto, que Paulo tenha falado tantas vezes e com tal afecto acerca destes dois amigos que tão bem o receberam.
Quando Paulo partiu para Éfeso, Priscila e Áquila acompanharam-no. Paulo deixou-os naquela cidade e desceu a Antioquia.
Actos 18: 24-26
Outra característica deste casal que encontramos neste texto é
a Hospitalidade e a Ajuda
Apolo era um grande pregador. Um judeu eloquente e conhecedor das Escrituras. Ao passar por Éfeso, lá estavam Priscila e Áquila a ouvi-lo atentamente na sinagoga.
Assim como tinham recebido Paulo, assim também este casal convidou Apolo para ir a sua casa. Ali, eles dispuseram-se a ajudar este servo do Senhor, instruindo-o no conhecimento dos caminhos de Deus.
É uma bênção para qualquer servo de Deus encontrar uma casa hospitaleira assim, encontrar pessoas que compartilham da sua experiência e conhecimento dos caminhos do Senhor. Certamente que todos os trabalhadores do Evangelho têm a ganhar, como Apolo, do contacto dos irmãos que têm as portas da sua casa e os seus corações abertos para servir ao Senhor.
A preeminência conferida a Priscila nesta instrução dada a Apolo subentende que ela era uma mulher de cultura, talvez acima do comum, uma estudiosa das Escrituras, uma mulher apta e consagrada, a ponto de ajudar um pregador a compreender melhor a verdade do Evangelho.
Mais tarde, encontramos novamente este casal, mas em Roma. Eles são saudados na carta que Paulo escreveu aos Romanos.
Romanos 16: 3-5
Neste texto também encontramos mais algumas características desta família consagrada.
O apóstolo Paulo saúda-os com grande afeição e elogia-os pela sua
Cooperação e Coragem
Paulo dá a entender que, ao servirem com ele, por serem seus companheiros de luta, Priscila e Áquila, por mais de uma vez, poderiam ter sido mortos no meio das tribulações e ameaças que assediavam o apóstolo. Eles tinham arriscado as suas vidas por Paulo. E isso mostra a sua renúncia própria, a sua entrega e consagração a favor do Evangelho. Quão bom é que os obreiros, os líderes do trabalho do Senhor encontrem pessoas dedicadas, apoiando-os até à renúncia própria, com prejuízo das suas próprias vidas pela causa do Reino De Deus.
Ainda nesta saudação do apóstolo Paulo, eles são apresentados como um casal que
dedica o seu lar e as suas vidas inteiramente ao Senhor.
Esta dedicação era também uma das suas características. O texto diz que todas as igrejas dos gentios estavam gratas. Eles eram conhecidos pelo seu testemunho em todo o lado.
É uma tentação continuar a preencher os espaços omissos com características deste homem chamado Áquila e desta mulher chamada Priscila. Eles foram certamente figuras centrais, instrumentos nas mãos de Jesus Cristo naqueles territórios e naquela época.
Em vários textos se foca a igreja que estava em sua casa, tanto em Éfeso como em Roma. Onde quer que fossem, sempre os encontramos abrindo a sua casa como centro de fraternidade cristã e serviço. Certamente seria um lar que irradiava simpatia e amor. Um lar que era uma luz, anunciando Jesus a quem quisesse ouvir.
* Pregada na IB S. João da Madeira em 18 de Junho de 1989 * Pregada no Acampamento Baptista (Acampamento Familiar em 19-26 Julho 1970)