A notícia do jornal era chocante.
O marido tinha deitado gasolina em cima da esposa e tinha-lhe pegado o fogo!
Segundo os familiares e vizinhos, isso foi o culminar de uma vida inteira de agressões.
E tudo tinha piorado quando os filhos saíram de casa.
Ele estava mais à vontade para a encher de pancada, diziam.
A notícia dizia ainda que, quando a viu entrar para a ambulância, o marido chorava pedindo que lhe perdoasse porque estava arrependido.
Esta é apenas uma, entre dezenas de notícias que, diariamente, chegam ao nosso conhecimento.
A violência doméstica tem sido alvo da nossa atenção, dada a proporção com que acontece no nosso país. Procuram-se causas, discutem-se consequências, arranjam-se soluções.
Explica-se pela mentalidade machista, pela miséria, pelo alcoolismo.
Fala-se nas marcas físicas e psicológicas que deixa nas crianças, no sofrimento que provoca na família.
Promulga-se mais uma lei. Há gabinetes de Estado para os assuntos da família.
Tristemente, temos de admitir que a violência no lar está longe de ser debelada. Porque há muitas formas de violência. Formas que, normalmente, como costumamos dizer, “não matam, mas moem”.
Refiro-me, por exemplo, às palavras. As coisas que os membros da família dizem uns aos outros em forma de agressão pessoal: “tu és um estúpido…”, “és sempre a mesma coisa…”, “o menino é mau…”.
E as discussões acesas de gritos, de asneiras, de ameaças.
Há também a ausência de palavras. O silêncio agride, quando o que é preciso é diálogo.
Cônjuges que não falam um para o outro, às vezes, dias seguidos.
E que dizer das ironias, das piadas, das indirectas, dos comentários negativos à sogra?
Chocante? Talvez não tanto, à primeira vista, como deitar gasolina sobre a pessoa e deitar-lhe fogo. Mas, como é que a família pode subsistir saudável e feliz a um ambiente de agressividade contínua? Família, em que cada membro luta pela sobrevivência emocional, descarregando fora de casa as suas frustrações de variadas maneiras, muitas vezes evidenciando claramente o que recebem lá dentro.
Haverá soluções capazes de recolher os cacos e restaurar as vidas de crianças, jovens, adultos – membros de famílias desfeitas pela violência, pelas atitudes negativas, demolidoras e humilhantes?
Não parece um caminho fácil, com transformações radicais ou crescimento instantâneo.
Mas a verdade é que Deus, cujo plano para a humanidade foi desde o princípio a vida em família, tem poder restaurador e transformador de vidas.
A verdade é que a Sua Palavra ensina, exorta, aconselha, consola e liberta.
Famílias felizes?
Uma realidade possível depois da violência?
Sim. Com Deus na vida de cada um dos seus membros e a Sua Palavra praticada no lar.
A Revista do Lar Cristão quer falar-lhe do plano de Deus para si, do alvo de Deus para a sua família. Regularmente vamos estar consigo, pois queremos falar-lhe desta e doutras questões que o levem a reflectir e, porventura, desafiando-o e tocando a sua própria experiência de vida, o encorajem a caminhar cada vez mais na vontade de Deus.
ARTIGO PUBLICADO
A Revista do Lar Cristão – A Missionária
119 – Abril a Junho de 2000
Editorial, p.3