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A transformação da vida pelo estudo da Palavra

Actos 8:26-40
Filipe e o eunuco

A caminho de Hatta – Arabian Desert – Emirados Árabes Unidos. 2012

Como somos / a nossa situação
Jesus disse: “Se vós permanecerdes na minha palavra verdadeiramente sois meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31,32)

Esta é sem dúvida uma das grandes verdades expressas por Jesus quando ensinava. Queria Ele dizer que todos aqueles que constantemente aprendem a sua palavra são discípulos (palavra que, em grego, significa o que aprende). Aqueles que constantemente aprofundam a verdade da Palavra de Deus, até que o seu significado possa ser apropriado pessoalmente e se transforme em ações de obediência à vontade de Deus, são os verdadeiros discípulos.

O texto bíblico de Actos 8:26 a 40 fala-nos de um homem que amava a Deus. Um homem que fez uma longa viagem à cidade santa dos judeus para adorar.
Lucas faz uma descrição bastante pormenorizada deste homem no v.27, e isso faz-nos entender como seria a sua vida religiosa e a sua posição no judaísmo. Sendo um homem de grande destaque na corte da rainha da Etiópia, um mordomo-mor, gerente e administrador de todos os seus bens, tinha ido a Jerusalém para adorar.
No entanto, este versículo afirma muito claramente que ele era um etíope, e, ainda por cima, eunuco. Dois grandes problemas para o povo de Deus. Um etíope era um estrangeiro, um pagão, provavelmente até uma pessoa de cor diferente. Eunuco é uma palavra que, na Bíblia, se refere a uma função desempenhada, mas que aqui é claramente uma referência à sua condição de castrado, dado que a sua função é descrita por duas palavras: mordomo-mor e superintendente.

E por que é que o autor deste episódio teria referido isto? Seria este um verdadeiro discípulo? Ele tinha feito uma longa viagem para adorar a Deus no seu santo templo, e durante o caminho não cessava de ler as palavras dos Profetas de Deus nos textos sagrados.

Podemos perguntar: Não seria ele um bom crente? Um zeloso seguidor de Deus?

A lei judaica dizia, em Deuteronômio 23:1: “aquele a quem forem trilhados os testículos, ou for cortado o membro viril, não entrará na assembleia do Senhor.” Portanto, podemos deduzir que este eunuco seria o que alguns estudiosos chamam um “prosélito da porta”, a quem era negada a entrada no templo ou um “temente a Deus” que nem poderia ser um prosélito por ser considerado deficiente.

A religião é assim. Limita com regras e leis a relação dos seres humanos com Deus.

Mas, Jesus trouxe uma mensagem diferente: “Se vós permanecerdes na minha palavra verdadeiramente sois meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31-32)

Permanecer na Palavra de Jesus liberta
O estudo da Palavra é um factor determinante na transformação das pessoas.
Costuma ir à igreja para adorar? Crê em Deus? Procura seguir as regras de uma religião? Tem zelo na obediência? Estará tudo be na sua relação com Deus? Considera-se ou não um discípulo de Jesus? Será que a sua vida foi transformada e está a ser constantemente renovada?

Lucas mostra-nos como era a vida deste etíope: um deserto.
Sem dúvida, Lucas faz uma afirmação teológica ao descrever a situação que Filipe iria encontrar: um caminho deserto, à hora de grande calor! Porque a frase que está nas nossas Bíblias “em direção do sul” também pode ser traduzida não só por uma expressão que designa o lugar, mas por uma expressão de tempo significando “ao meio dia”.

A caminho de Hatta – Arabian Desert – Emirados Árabes Unidos. 2012

Um deserto, ao meio dia, à torreira do calor! Era aí que se encontrava este temente a Deus!

A nossa vida espiritual sem transformação é um deserto, é seca, é cheia de sede. É uma vida mirrada, em situação difícil. Uma vida árida e improdutiva.
Podemos ter temor a Deus; podemos ser motivados pelo medo de morrermos e não irmos para o céu; podemos gostar muito do louvor, achar os costumes religiosos da igreja muito interessantes… afinal todas as igrejas ensinam o bem… mas a nossa vida espiritual é um deserto. 

A religião amarra e o cristianismo liberta.

Transformação é um conceito chave do cristianismo – nós somos uma nova criação em Cristo (I Coríntios 5:17). É a imagem da larva que morre para si mesma para se transformar numa bela borboleta!

O que é preciso acontecer então para mudar as coisas? O que é necessário acontecer para que se opere transformação nas nossas vidas?

Em primeiro lugar, a ação de Deus é fundamental

Precisamos de deixar que Deus actue rápida e plenamente na nossa vida.
O nosso texto afirma que o processo de renovação/transformação da vida é iniciado e conduzido por Deus.
Deus chama as pessoas à salvação, e Deus apela à transformação constante: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:1,2)

Deus também nos chama a uma entrega para O servirmos, para sermos seus instrumentos na transformação de outras pessoas.
A orientação divina é fundamental no processo de transformação, usando pessoas preparadas para liderarem o estudo da Palavra de Deus.
No v.26 é clara a referência ao anjo do Senhor que diz a Filipe: Levanta-te e vai. E este, conforme diz o versículo seguinte “levantou-se e foi” em obediência incondicional.
Teologicamente, “o anjo do Senhor” refere-se à presença divina. No v.29 encontramos a referência ao “Espírito” que continua a orientar Filipe quanto ao que deve fazer. É interessante que Lucas só volta a falar no Espírito do Senhor no v.39, quando afirma que eles sairam da água e Filipe foi levado para outro lado.

Deus conduz o processo de transformação da vida das pessoas usando os seus servos como ensinadores da Palavra. E Deus está atento às necessidades das vidas das pessoas e usa os seus servos, crentes fiéis e preparados para esclarecer, para clarificar, para ensinar, para ajudar nesse processo. Por exemplo, Deus chama professores para a Escola Bíblica Dominical que se preparam para ensinar a Palavra.

Deus sabia que o eunuco estava num deserto, que precisava urgentemente da água viva para refrescar a sua vida, para a vivificar. E Deus escolheu Filipe e usou-o de um modo maravilhoso.

E o que fez Filipe? Um grande milagre? Curou o eunuco do seu defeito físico? Não. Explicou-lhe o que ele precisava de entender – a Palavra de Deus que aponta Cristo, o Salvador e Senhor da vida!

A caminho de Hatta – Arabian Desert – Emirados Árabes Unidos. 2012

Em segundo lugar, o desejo de aprender é essencial

Ao estudar este texto, foi muito importante para mim descobrir que a palavra “lia” que aparece no v.28 e 30 no original em grego não é propriamente o verbo “ler”, mas um verbo que quer dizer “querer conhecer”, “procurar entender”, “usar a mente”. Poderíamos então traduzir estes versículos assim:
v. 28 – “regressava e, sentado no seu carro, queria conhecer o profeta Isaías” (ou “procurava entender” o profeta Isaías).
v. 30 – “E correndo Filipe ouviu que procurava conhecer o profeta Isaías e disse: entendes tu o que procuras entender?”

O desejo de aprender é essencial. Às vezes nós pensamos que já sabemos tudo. Basta-nos o sermão dominical e já vamos “cheios” para casa…
O eunuco lia o profeta e procurava conhecê-lo mais profundamente, procurava descortinar o significado daquela Palavra que ele entendia ser importante. Mas ele não tinha acesso à Assembleia Judaica e a sua ansiedade era tanta que, quando Filipe se lhe dirigiu, rogou-lhe que se sentasse com ele (v.31) e rogou-lhe que lhe explicasse (v.34). E questionou o que estava escrito; fez perguntas e procurou compreender.

A disposição para aprender é o primeiro passo para uma mente aberta à transformação.
“Como poderei entender, se alguém não me ensinar?” E aqui a palavra ensinar significa conduzir, orientar e vem de uma palavra cuja raiz é a palavra caminho. Isto é: preciso que alguém me mostre o caminho. Quem me orienta?
Como podemos conhecer o caminho do Senhor? Ele disse: “Eu sou o caminho…”. Como conhecer o caminho recto por onde conduzir as nossas vidas, se não procurarmos conhecê-lo, se desprezamos as oportunidades que temos de sermos orientados pelo estudo da Palavra de Deus?

Eu não consigo perceber como é possível não haver interesse pela Escola Bíblica Dominical, pelos cultos de estudo bíblico. Como é que podemos trocar esta bênção por mais uma hora na cama ou por um tempo no sofá a fazer zapping na televisão? Como podemos amar a Deus se não O conhecemos? Como podemos obedecer-lhe se não sabemos o que Ele quer? Como podemos contentar-nos com um cristianismo de rotina, de frases feitas nos quais devemos crer sem entender, de passivos espectadores de sermões?

A caminho de Hatta – Arabian Desert – Emirados Árabes Unidos. 2012

Em terceiro lugar, o estudo da Palavra é libertador e transformador

O v. 35 diz: “Então Filipe tomou a palavra e, começando por esta escritura, anunciou-lhe Jesus.” Já Jesus fazia o mesmo, quando seguia com os desencorajados e cépticos discípulos a caminho de Emaús – um episódio também relatado por Lucas, no seu evangelho.

Lucas 24:27 – “… e começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.”
vindo eles a reconhecer:
v. 32 “Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava, e quando nos abria as Escrituras?”
e na mesma hora decidiram voltar a Jerusalém e a reunirem-se com os outros.

Filipe falou de Jesus, através do texto do capítulo 53 de Isaías falou-lhe do servo sofredor, do cordeiro de Deus, da atitude de Deus que se identifica com o sofrimento humano e se entrega até à morte, e morte de cruz, para nossa redenção.
E o estudo desta escritura e a explicação da Palavra operaram libertação e transformação.

Que impede? é a pergunta do eunuco.

Num contexto em que os judeus cristãos tinham reservas em levar o evangelho aos gentios; em que Filipe se aventurou a pregar ao samaritanos que reagiram à sua pregação crendo no nome de Jesus e foram baptizados (Actos 8:12); num contexto em que era proibido a um eunuco, ainda que temente a Deus, passar da porta do templo, por ser deficiente, que impede?

Haverá impedimentos ao poder transformador e libertador da Palavra de Deus, quando este opera na vida das pessoas?

Que impede?

Para Deus não há eunucos que não sejam aceites, não há complexos e limitações dos quais não possamos libertar-nos.

Nós, seres humanos, criamos barreiras, dividindo-nos em classes sociais, separamo-nos pela quantidade de dinheiro que aparentamos ter, pela cor da nossa pele, pelas ideias que temos e opiniões que expressamos.

Mas para Deus não há impedimentos. Nada pode impedir a renovação da mente, a libertação dos preconceitos, quando Deus actua na vida pelo estudo da Sua Palavra.

Uma definição do que significa ensinar do ponto de vista cristão, diz assim:
O ensino cristão é a comunicação da experiência da salvação em Jesus Cristo de tal maneira que a vida do aluno se transforma, chega a desenvolver-se e a aperfeiçoar-se mediante a sua relação com Deus em Cristo.

A transformação foi visível no caso deste eunuco em passos de obediência concretos e visíveis:
O v. 36 diz-nos que ele pediu para ser baptizado.
O v. 39 diz que seguiu o seu caminho jubiloso.

O baptismo é um acto que simboliza publicamente o que se opera à semelhança da borboleta. Éramos larvas e demos a vida a Cristo, envolvemos a nossa vida num casulo chamado Cristo, morremos para nós mesmos e ressuscitámos para uma nova vida, não mais rastejando, mas voando em alegria. O baptismo é um passo que mostra a nossa transformação.

Uma vida alegre e feliz é outra evidência. Não mais um caminho deserto, não mais aridez, mas um caminho de júbilo, um caminho novo, um caminho que se nos abriu pelo ensino da Palavra.

Jesus disse:
“Se permanecerdes na minha palavra verdadeiramente sois meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8: 31-32)

Só podemos ser livres, transformados, renovados na nossa maneira de pensar e de agir se conhecermos a verdade. Mas para isso temos de permanecer na palavra.

Vamos, então, aproveitar ao máximo as oportunidades de estudo da Bíblia.

Vamos buscar activamente conhecer mais a Deus para nos conduzirmos nos seus caminhos.

Vamos deixar que Deus nos liberte dos nossos complexos, dos preconceitos e das barreiras que construímos, através da compreensão dos Seus princípios expressos na Sua Palavra.

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PROJECTO MISSIONÁRIO

COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Este projecto poderá ser desenvolvido por um(a) líder com um grupo de crianças e adolescentes da igreja, para recolha de fundos para algum projecto missionário (oferta para missões, despesas de um passeio das crianças, ajuda para subsidiar acampamentos de crianças, oferta para um lar ou orfanato, etc.)

Faça um género de porta-chaves (argola) com versículos da Bíblia.

  • Cada criança ou adolescente pode escolher o seu versículo bíblico favorito, que tenha um significado especial para si.
  • Podem ser versículos de encorajamento, de promessas de Deus, inspirativos, etc.
  • Pode também dar a cada membro do grupo um determinado livro da Bíblia onde pode escolher alguns versículos.
  • Selecione versículos para uma semana, um mês, 3 meses, um ano. Arranje pequenos cartões onde escreverão os versículos. Se possível façam- nos no computador, corte o papel para colar um versículo em cada cartão. 
  • Fure os cartões num dos cantos e coloque-os na argola. A argola variará de tamanho conforme o número de cartões.
  • Promova a venda na igreja. As próprias crianças e adolescentes podem participar na venda. Serão boas ofertas para os crentes oferecerem aos não crentes. O produto da venda destinar-se-á ao projecto especificado.

TEXTO PUBLICADO
Revista do Lar Cristão – A Missionária
120-121 Junho a agosto e Setembro a Dezembro 2000
Suplemento, p. XI