Renovação em Deus é o tema que servirá de fio condutor dos assuntos que iremos abordar na nossa revista ao longo deste ano. Queremos desafiá-lo(a) a buscar em Deus uma renovação constante da sua vida em todas as suas dimensões, e que isso possa operar renovação de grupos, igreja, instituições e sociedade em que se congrega e com os quais interage diariamente.
Estamos ainda no início do ano e, por isso, é uma boa altura para começar de novo. Este primeiro número dá ênfase, em vários artigos interessantíssimos, à renovação da mente. Daquilo que vê, do que lê, do que ouve, o que é que contribui para que a sua mente seja cada vez mais cristã (de Cristo)? O que é que significa, no seu sentido mais profundo (bíblico), esse processo a que, teologicamente, referimos como metanoia (mudança de mente)? E como é que isso se processa em nós?
De entre as muitas resoluções de ano novo que várias pessoas escreveram nos seus perfis do Facebook li uma que dizia:
Muda. Mas começa devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. Senta-te numa outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, muda de mesa. Quando saíres, procura andar pelo outro lado da rua. Depois, muda de caminho, anda por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde passas. Muda. Muda por uns tempos o estilo das tuas roupas. Dá os teus sapatos velhos. Procura andar descalço alguns dias…. Abre conta noutro banco. Vai a outro cinema, outro cabeleireiro, outro teatro, visita novos museus. Muda. Experimenta coisas novas. Troca novamente. Muda, de novo. Experimenta outra vez.
Pois é, a sociedade fala de aparências. A Bíblia fala de nascer de novo, de interior, de dentro para fora. É Deus que opera, que transforma, que regenera, que renova, que restaura. Essa é a verdadeira mudança que deve acontecer a cada ser humano! Encontre em Deus o poder verdadeiramente transformador da sua vida!
Desejo que encontre nesta revista, seja qual for a sua condição de vida, incentivo para se aproximar de Deus e buscar nele uma outra vida: nova, plena, completa!
Continue a ler-nos ao longo do ano, pois teremos, em cada número da revista, conteúdos que irão certamente ajudar a compreender o que Deus pode fazer em si, na sua família e no seu mundo.
“O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para te salvar; ele se deleitará em ti com alegria, renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo.” Sofonias 3:17
Renova-me Senhor Jesus / Já não quero ser igual Renova-me Senhor Jesus / Põe em mim teu coração Porque tudo o que há dentro de mim / Necessita de ser mudado Senhor Porque tudo o que há dentro do meu coração / Necessita mais de Ti
Não há um curso de formação para aprendermos a prepararmo-nos para o casamento e a arte de permanecermos casados. Não há uma escola para aprendermos a ser pais. Não há uma universidade para aprendermos os truques necessários para desenvolvermos relacionamentos saudáveis no âmbito familiar.
A natureza da maternidade, a intuição, os modelos paternos, a experiência da vida, as lições que tiramos dos erros que cometemos, os conselhos de quem já passou pelo mesmo, as palestras e os sermões que de vez em quando ouvimos e, claro, aquilo que lemos são fontes de preparação e aquisição de conhecimentos que nos capacitam para realizarmos o nosso papel no plano familiar com muito mais qualidade e com maior possibilidade de contribuirmos para uma família feliz.
É através da leitura que obtemos muita informação importante, que esclarecemos muitas dúvidas, que desenvolvemos competências, que compreendemos melhor as pessoas nos seus processos de desenvolvimento e nos seus estágios comportamentais. A leitura enriquece-nos como pessoas e contribui para a estruturação da nossa vida nas mais diversas vertentes.
Por isso, o cristão é um leitor por excelência. Não pode ser de outro modo. A começar pela leitura diária da Bíblia, pela leitura de devocionais inspirativos, pela leitura de livros de estudo bíblico, e continuando com a leitura dos mais diversos géneros literários. Quanto mais se lê, mais cresce a paixão pela leitura e mais adquirimos conhecimentos sobre os quais vamos edificando a nossa vida.
A nossa revista Lar Cristão faculta-nos uma leitura leve, mas que contribui de uma maneira muito importante para nos informar e encorajar a exercer os valores cristãos na nossa família, além de poder ser também um bom instrumento para dar a conhecer os princípios de Deus para a vida pessoal e para a família àqueles leitores que necessitam de compreender melhor a fé cristã. Numa altura, como é a nossa época, em que a própria definição do que é uma família está a ser deturpada constantemente, em que as próprias famílias cristãs estão a passar por crises muito complicadas, é muito importante socorrermo-nos de leituras que nos estimulem a permanecer firmes e comprometidos com a vontade de Deus para as nossas famílias.
A leitura é, por assim dizer, um curso de formação, uma escola, uma universidade. Os livros, as revistas, os jornais não vão acabar. Seja qual for a forma como se nos apresentam, eles são instrumentos preciosos para o nosso desenvolvimento como pessoas e sobretudo, como cristãos. Encha a sua casa de livros, no seu orçamento doméstico destine sempre uma verba para leituras. Use e abuse das Bibliotecas. Comunique a paixão pela leitura às novas gerações. Uma família que lê é uma família mais feliz!
A caminho de Hatta – Arabian Desert – Emirados Árabes Unidos. 2012
Como somos / a nossa situação Jesus disse: “Se vós permanecerdes na minha palavra verdadeiramente sois meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31,32)
Esta é sem dúvida uma das grandes verdades expressas por Jesus quando ensinava. Queria Ele dizer que todos aqueles que constantemente aprendem a sua palavra são discípulos (palavra que, em grego, significa o que aprende). Aqueles que constantemente aprofundam a verdade da Palavra de Deus, até que o seu significado possa ser apropriado pessoalmente e se transforme em ações de obediência à vontade de Deus, são os verdadeiros discípulos.
O texto bíblico de Actos 8:26 a 40 fala-nos de um homem que amava a Deus. Um homem que fez uma longa viagem à cidade santa dos judeus para adorar. Lucas faz uma descrição bastante pormenorizada deste homem no v.27, e isso faz-nos entender como seria a sua vida religiosa e a sua posição no judaísmo. Sendo um homem de grande destaque na corte da rainha da Etiópia, um mordomo-mor, gerente e administrador de todos os seus bens, tinha ido a Jerusalém para adorar. No entanto, este versículo afirma muito claramente que ele era um etíope, e, ainda por cima, eunuco. Dois grandes problemas para o povo de Deus. Um etíope era um estrangeiro, um pagão, provavelmente até uma pessoa de cor diferente. Eunuco é uma palavra que, na Bíblia, se refere a uma função desempenhada, mas que aqui é claramente uma referência à sua condição de castrado, dado que a sua função é descrita por duas palavras: mordomo-mor e superintendente.
E por que é que o autor deste episódio teria referido isto? Seria este um verdadeiro discípulo? Ele tinha feito uma longa viagem para adorar a Deus no seu santo templo, e durante o caminho não cessava de ler as palavras dos Profetas de Deus nos textos sagrados.
Podemos perguntar: Não seria ele um bom crente? Um zeloso seguidor de Deus?
A lei judaica dizia, em Deuteronômio 23:1: “aquele a quem forem trilhados os testículos, ou for cortado o membro viril, não entrará na assembleia do Senhor.” Portanto, podemos deduzir que este eunuco seria o que alguns estudiosos chamam um “prosélito da porta”, a quem era negada a entrada no templo ou um “temente a Deus” que nem poderia ser um prosélito por ser considerado deficiente.
A religião é assim. Limita com regras e leis a relação dos seres humanos com Deus.
Mas, Jesus trouxe uma mensagem diferente: “Se vós permanecerdes na minha palavra verdadeiramente sois meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31-32)
Permanecer na Palavra de Jesus liberta O estudo da Palavra é um factor determinante na transformação das pessoas. Costuma ir à igreja para adorar? Crê em Deus? Procura seguir as regras de uma religião? Tem zelo na obediência? Estará tudo be na sua relação com Deus? Considera-se ou não um discípulo de Jesus? Será que a sua vida foi transformada e está a ser constantemente renovada?
Lucas mostra-nos como era a vida deste etíope: um deserto. Sem dúvida, Lucas faz uma afirmação teológica ao descrever a situação que Filipe iria encontrar: um caminho deserto, à hora de grande calor! Porque a frase que está nas nossas Bíblias “em direção do sul” também pode ser traduzida não só por uma expressão que designa o lugar, mas por uma expressão de tempo significando “ao meio dia”.
A caminho de Hatta – Arabian Desert – Emirados Árabes Unidos. 2012
Um deserto, ao meio dia, à torreira do calor! Era aí que se encontrava este temente a Deus!
A nossa vida espiritual sem transformação é um deserto, é seca, é cheia de sede. É uma vida mirrada, em situação difícil. Uma vida árida e improdutiva. Podemos ter temor a Deus; podemos ser motivados pelo medo de morrermos e não irmos para o céu; podemos gostar muito do louvor, achar os costumes religiosos da igreja muito interessantes… afinal todas as igrejas ensinam o bem… mas a nossa vida espiritual é um deserto.
A religião amarra e o cristianismo liberta.
Transformação é um conceito chave do cristianismo – nós somos uma nova criação em Cristo (I Coríntios 5:17). É a imagem da larva que morre para si mesma para se transformar numa bela borboleta!
O que é preciso acontecer então para mudar as coisas? O que é necessário acontecer para que se opere transformação nas nossas vidas?
Em primeiro lugar, a ação de Deus é fundamental
Precisamos de deixar que Deus actue rápida e plenamente na nossa vida. O nosso texto afirma que o processo de renovação/transformação da vida é iniciado e conduzido por Deus. Deus chama as pessoas à salvação, e Deus apela à transformação constante: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:1,2)
Deus também nos chama a uma entrega para O servirmos, para sermos seus instrumentos na transformação de outras pessoas. A orientação divina é fundamental no processo de transformação, usando pessoas preparadas para liderarem o estudo da Palavra de Deus. No v.26 é clara a referência ao anjo do Senhor que diz a Filipe: Levanta-te e vai. E este, conforme diz o versículo seguinte “levantou-se e foi” em obediência incondicional. Teologicamente, “o anjo do Senhor” refere-se à presença divina. No v.29 encontramos a referência ao “Espírito” que continua a orientar Filipe quanto ao que deve fazer. É interessante que Lucas só volta a falar no Espírito do Senhor no v.39, quando afirma que eles sairam da água e Filipe foi levado para outro lado.
Deus conduz o processo de transformação da vida das pessoas usando os seus servos como ensinadores da Palavra. E Deus está atento às necessidades das vidas das pessoas e usa os seus servos, crentes fiéis e preparados para esclarecer, para clarificar, para ensinar, para ajudar nesse processo. Por exemplo, Deus chama professores para a Escola Bíblica Dominical que se preparam para ensinar a Palavra.
Deus sabia que o eunuco estava num deserto, que precisava urgentemente da água viva para refrescar a sua vida, para a vivificar. E Deus escolheu Filipe e usou-o de um modo maravilhoso.
E o que fez Filipe? Um grande milagre? Curou o eunuco do seu defeito físico? Não. Explicou-lhe o que ele precisava de entender – a Palavra de Deus que aponta Cristo, o Salvador e Senhor da vida!
A caminho de Hatta – Arabian Desert – Emirados Árabes Unidos. 2012
Em segundo lugar, o desejo de aprender é essencial
Ao estudar este texto, foi muito importante para mim descobrir que a palavra “lia” que aparece no v.28 e 30 no original em grego não é propriamente o verbo “ler”, mas um verbo que quer dizer “querer conhecer”, “procurar entender”, “usar a mente”. Poderíamos então traduzir estes versículos assim: v. 28 – “regressava e, sentado no seu carro, queria conhecer o profeta Isaías” (ou “procuravaentender” o profeta Isaías). v. 30 – “E correndo Filipe ouviu que procurava conhecer o profeta Isaías e disse: entendes tu o que procuras entender?”
O desejo de aprender é essencial. Às vezes nós pensamos que já sabemos tudo. Basta-nos o sermão dominical e já vamos “cheios” para casa… O eunuco lia o profeta e procurava conhecê-lo mais profundamente, procurava descortinar o significado daquela Palavra que ele entendia ser importante. Mas ele não tinha acesso à Assembleia Judaica e a sua ansiedade era tanta que, quando Filipe se lhe dirigiu, rogou-lhe que se sentasse com ele (v.31) e rogou-lhe que lhe explicasse (v.34). E questionou o que estava escrito; fez perguntas e procurou compreender.
A disposição para aprender é o primeiro passo para uma mente aberta à transformação. “Como poderei entender, se alguém não me ensinar?” E aqui a palavra ensinar significa conduzir, orientar e vem de uma palavra cuja raiz é a palavra caminho. Isto é: preciso que alguém me mostre o caminho. Quem me orienta? Como podemos conhecer o caminho do Senhor? Ele disse: “Eu sou o caminho…”. Como conhecer o caminho recto por onde conduzir as nossas vidas, se não procurarmos conhecê-lo, se desprezamos as oportunidades que temos de sermos orientados pelo estudo da Palavra de Deus?
Eu não consigo perceber como é possível não haver interesse pela Escola Bíblica Dominical, pelos cultos de estudo bíblico. Como é que podemos trocar esta bênção por mais uma hora na cama ou por um tempo no sofá a fazer zapping na televisão? Como podemos amar a Deus se não O conhecemos? Como podemos obedecer-lhe se não sabemos o que Ele quer? Como podemos contentar-nos com um cristianismo de rotina, de frases feitas nos quais devemos crer sem entender, de passivos espectadores de sermões?
A caminho de Hatta – Arabian Desert – Emirados Árabes Unidos. 2012
Em terceiro lugar, o estudo da Palavra é libertador e transformador
O v. 35 diz: “Então Filipe tomou a palavra e, começando por esta escritura, anunciou-lhe Jesus.” Já Jesus fazia o mesmo, quando seguia com os desencorajados e cépticos discípulos a caminho de Emaús – um episódio também relatado por Lucas, no seu evangelho.
Lucas 24:27 – “… e começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.” vindo eles a reconhecer: v. 32 “Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava, e quando nos abria as Escrituras?” e na mesma hora decidiram voltar a Jerusalém e a reunirem-se com os outros.
Filipe falou de Jesus, através do texto do capítulo 53 de Isaías falou-lhe do servo sofredor, do cordeiro de Deus, da atitude de Deus que se identifica com o sofrimento humano e se entrega até à morte, e morte de cruz, para nossa redenção. E o estudo desta escritura e a explicação da Palavra operaram libertação e transformação.
Que impede? é a pergunta do eunuco.
Num contexto em que os judeus cristãos tinham reservas em levar o evangelho aos gentios; em que Filipe se aventurou a pregar ao samaritanos que reagiram à sua pregação crendo no nome de Jesus e foram baptizados (Actos 8:12); num contexto em que era proibido a um eunuco, ainda que temente a Deus, passar da porta do templo, por ser deficiente, que impede?
Haverá impedimentos ao poder transformador e libertador da Palavra de Deus, quando este opera na vida das pessoas?
Que impede?
Para Deus não há eunucos que não sejam aceites, não há complexos e limitações dos quais não possamos libertar-nos.
Nós, seres humanos, criamos barreiras, dividindo-nos em classes sociais, separamo-nos pela quantidade de dinheiro que aparentamos ter, pela cor da nossa pele, pelas ideias que temos e opiniões que expressamos.
Mas para Deus não há impedimentos. Nada pode impedir a renovação da mente, a libertação dos preconceitos, quando Deus actua na vida pelo estudo da Sua Palavra.
Uma definição do que significa ensinar do ponto de vista cristão, diz assim: O ensino cristão é a comunicação da experiência da salvação em Jesus Cristo de tal maneira que a vida do aluno se transforma, chega a desenvolver-se e a aperfeiçoar-se mediante a sua relação com Deus em Cristo.
A transformação foi visível no caso deste eunuco em passos de obediência concretos e visíveis: O v. 36 diz-nos que ele pediu para ser baptizado. O v. 39 diz que seguiu o seu caminho jubiloso.
O baptismo é um acto que simboliza publicamente o que se opera à semelhança da borboleta. Éramos larvas e demos a vida a Cristo, envolvemos a nossa vida num casulo chamado Cristo, morremos para nós mesmos e ressuscitámos para uma nova vida, não mais rastejando, mas voando em alegria. O baptismo é um passo que mostra a nossa transformação.
Uma vida alegre e feliz é outra evidência. Não mais um caminho deserto, não mais aridez, mas um caminho de júbilo, um caminho novo, um caminho que se nos abriu pelo ensino da Palavra.
Jesus disse: “Se permanecerdes na minha palavra verdadeiramente sois meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8: 31-32)
Só podemos ser livres, transformados, renovados na nossa maneira de pensar e de agir se conhecermos a verdade. Mas para isso temos de permanecer na palavra.
Vamos, então, aproveitar ao máximo as oportunidades de estudo da Bíblia.
Vamos buscar activamente conhecer mais a Deus para nos conduzirmos nos seus caminhos.
Vamos deixar que Deus nos liberte dos nossos complexos, dos preconceitos e das barreiras que construímos, através da compreensão dos Seus princípios expressos na Sua Palavra.
Agradecer deve ser uma prática diária da nossa vida com Cristo. Desenvolver um espírito de gratidão é fundamental para o nosso desenvolvimento pessoal equilibrado.
Se formos mais gratos seremos mais felizes!
Não é fácil sermos agradecidos. A nossa tendência é sermos muito observadores de coisas que achamos que não estão bem, tornando-nos mais frustrados, mais ásperos, mais cínicos e mais irónicos.
Na Bíblia, sobretudo no livro de Salmos, há um constante apelo a que demonstremos a nossa gratidão a Deus, independentemente das nossas circunstâncias.
“O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia, e dele recebo ajuda. O meu coração exulta de alegria, e com o meu cântico lhe darei graças”. (Salmos 28:7)
“Aleluia! Dêem graças ao Senhor porque Ele é bom; o seu amor dura para sempre”. (Salmos 106:1)
Como é bom render graças ao Senhor e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo, anunciar de manhã o teu amor leal e de noite a tua fidelidade. (Salmos 92:1-2)
Hoje desejo partilhar alguns textos inspirativos que me estimulam a olhar para as belezas à minha volta, admiráveis criações de Deus, e a cultivar a gratidão na minha vida quotidiana.
“Qualquer um pode zangar-se – isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na justa medida, no momento certo, pela razão certa e da maneira certa – isso não é fácil.” Aristóteles, Ética a Nicómaco
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Partindo da ideia de ”que a emoção faz parte integrante dos processos de raciocínio e tomada de decisão, para o melhor e para o pior” (António Damásio) e que as emoções se manifestam de dentro para fora, são o espelho da alma, e afetam negativa ou positivamente a nossa qualidade de vida, quisemos, nesta revista, apresentar algumas perspetivas acerca da expressão de emoções, apontando para a necessidade de equilíbrio e estabilidade emocional na vida cristã.
Fomos solicitando artigos e recebemos aqueles que vos apresentamos neste número, os quais procuram orientar o leitor na aprendizagem emocional. Nem de propósito, no período de preparação da revista, fui participar de um Seminário sobre Literacia Emocional apresentado pelo Doutor Nelson Viegas, dirigido a pais e professores. Ele afirmou que todos precisamos da tal literacia emocional, isto é, de desenvolver a nossa capacidade para compreender as nossas próprias emoções, para escutar os outros e sentir empatia e para expressar as nossas emoções de forma produtiva.
E nem de propósito também, um dos tópicos do livro que estou a ler “Um Mês para Viver” de Kerry & Chris Shook, apresenta este assunto do ponto de vista cristão. E diz: “Grande parte do processo de amadurecimento e crescimento consiste em aprender a reconhecer e experimentar as emoções sem ser controlado por elas. Claro que não se trata de apertar um botão e desligar o medo, ou apertar outro botão e ser feliz. Talvez não sejamos capazes de controlar aquilo que sentimos, mas com certeza podemos controlar aquilo que fazemos com as emoções – a maneira como elas afetam os pensamentos e o comportamento.”
Ora, como dizia Aristóteles, lidar com as nossas emoções não é fácil. Que a apresentação deste assunto nesta revista possa, pelo menos, fazer-nos refletir e avaliar a nossa própria literacia emocional à luz da Palavra de Deus. Deixo-vos ainda o conselho do casal Shook: “À medida que enfrentamos os altos e baixos da vida, a verdade de Deus serve como porto seguro, a ser usado em qualquer tempestade emocional, seja qual for o tamanho. O Novo Testamento diz: “pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio” (2 Timóteo 1:7). Se eu estiver conectado a meu Criador por meio de conversa e confissão constantes, então Ele me dará o poder e o autocontrole de que preciso.”
Hoje gostaria que relêssemos este texto nas nossas Bíblias e meditássemos um pouco acerca do serviço que duas mulheres prestaram a Jesus e as implicações desta narrativa da vida de Jesus para nós hoje em dia.
Marta, Maria e Lázaro viviam em Betania, perto de Jerusalém, e eram amigos muito queridos de Jesus. Os três eram irmãos, mas este episódio nem sequer menciona Lázaro, que seria o provedor da casa certamente. É Lucas o único evangelista que descreve este episódio da vida de Jesus, e vemos como ele está interessado em destacar o discipulado das mulheres no ministério de Jesus e na vida da igreja.
A história diz-nos que Jesus e os seus discípulos passaram por aquela aldeia. Nada mais natural para Jesus do que parar na casa dos seus amigos para descansar. “Marta recebeu-o em sua casa” (v.38). Neste acto, de abrir a porta de sua casa a viajantes cansados, começa o serviço a Deus.
Este verbo “receber” que se encontra neste texto (v.38) é bastante raro na Bíblia. O evangelista Lucas usa-o mais duas vezes. No capítulo 19:6 quando descreve a história de Zaqueu, que ao encontrar-se com Jesus “apressando-se, desceu e recebeu-o com alegria”. Em Actos dos Apóstolos 17:7, ao referir-se a Paulo e aos seus companheiros, que estavam a ser perseguidos pelos judeus em Tessalonica, Lucas afirma que Jason os “recolheu”. Tiago, ao falar das obras de fé de muitos servos de Deus, refere-se à prostituta Raabe (2:25) que foi justificada por Deus quando “acolheu” os espias do povo de Deus na sua casa e conseguiu assim defender as suas vidas.
Marta e Maria, duas irmãs que amavam Jesus, prontamente também abriram a sua casa e receberam Jesus entusiasticamente. Este foi o melhor serviço que nesta altura poderiam prestar a Jesus e aos companheiros. Certamente eles estariam cansados da caminhada e precisariam de uma pausa, de um tempo de calma numa casa acolhedora e confortável.
Haveria também muitos que os seguiam para receber coisas, pelo pão e pelos peixes, e os curiosos e críticos do que Jesus ensinava e fazia. E, nestas circunstâncias, quão bom é estar na presença de pessoas que nos amam, que nos recebem em casa sem qualquer interesse, apenas com o desejo de servir e amar.
Marta e Maria convidaram Jesus para sua casa e com alegria o serviram. E que maior privilégio do que ter uma oportunidade de servir a Cristo. Na realidade, esta é uma decisão de se utilizar os nossos dons para o bem do próximo e glória de Deus.
Esta história continua para nos apresentar como que um contraste entre duas mulheres discípulas com temperamentos tão diferentes. Vejamos: o texto diz que Maria se sentou a ouvir Jesus (v.39) enquanto Marta andava de um lado para outro distraída com muitas coisas, “preocupada com muito serviço” (v.40). Lázaro não é mencionado. Esta é uma história que destaca as mulheres intervenientes no ministério de Jesus. À primeira vista parece-nos que há dois contrastes bem marcados. Estas duas irmãs parecem ter escolhido tarefas completamente diferentes não se importando uma com a outra.
Marta parece ser a irmã mais velha, preocupada com a orientação e o governo da casa, principalmente numa altura em que há visitas e é preciso preparar tantas coisas. No entanto, o texto omite o trabalho de Maria nesta área. Não está expresso de uma maneira clara o empenho de Maria em se ocupar das tarefas caseiras também.
Numa primeira leitura deste texto, que visualizamos nós? O que vem à nossa mente sobre estas personagens? Como é que imaginamos a situação? Deixem-me resumir a maneira como eu usualmente a via:
Jesus passa por esta terra onde viviam os seus amigos. Marta convida-o a ir lá a casa. Jesus senta-se na sala de visitas, Marta vai para a cozinha numa preparação agitada e apressada do melhor que tem para oferecer ao seu convidado e Maria senta-se simplesmente a conversar com Jesus. Passado um tempo Marta fica muito irritada porque Maria não se decide a ajudá-la e porque ela própria não tem oportunidade de ouvir Jesus. E ainda por cima, Jesus elogia Maria e repreende Marta!
No entanto, ao estudar um pouco mais este texto e ao reflectir em mais alguns detalhes, alguns pormenores tornarão esta história bem diferente.
Vejamos o v.38. Lucas diz que eles passaram por aquela aldeia, embora o diálogo decorra à volta das personagens de Jesus, Marta e Maria. Jesus passa por ali com os seus discípulos, pois nesta altura Jesus desenvolve o seu ministério na Judeia e anda perto de Jerusalém. Marta e Maria que o ouvem pregar na aldeia tomam a iniciativa de o convidar para repousar e tomar uma refeição lá em casa com os seus discípulos. O mais natural é que Lázaro também estivesse, mas parece haver deliberadamente por parte de Lucas uma opção de não o mencionar. Enquanto as mulheres da casa e os criados se dedicavam à preparação dos alimentos, Jesus estaria a conversar com os seus discípulos e convidados, talvez todos homens.
Entretanto, Maria tendo feito o que era necessário, veio sentar-se junto de Jesus para ouvir também a sua palavra. Marta continuava atarefada demais e veio repreender Jesus por consentir que a irmã estivesse ali em vez de se dedicar ao trabalho que era suposto as mulheres fazerem.
Lucas (v.39) diz ainda que Maria também se sentou para ouvir a sua palavra. Parece dar a ideia de ela ter feito algo e também se sentou a ouvir a sua palavra ou pode dar a ideia de também se ter sentado com outras pessoas.
Marta andava distraída/preocupada e ansiosa/perturbada (v.40 e v.41). Estas palavras implicam que Marta estava muito agitada na sua mente. Ela tinha tentado ouvir mas descobriu que a sua preocupação pelas preparações da refeição eram tão grandes que não lhe permitiam ocupar-se de mais nada. Em contraste com a calma evidenciada na expressão sentou-se e ouvia em relação a Maria, o v.40 diz que “Marta, porém andava de um lado para outro em muitos serviços.”
Quando Marta se dirige a Jesus ela fá-lo nos seguintes termos: “Senhor, não te importa que a minha irmã tenha deixado de ajudar-me e me tenha deixado sozinha? Manda-a outra vez para o trabalho que lhe compete!” Mas Jesus responde com uma expressão de afecto e cuidado: “Marta, Marta”. Jesus aceita o discipulado das mulheres ao lado dos homens, sem distinção e, no fundo quer que Marta veja isso e deixe de preocupar-se com preconceitos e tradições.
Esta história é usada por diferentes religiões para enfatizarem a vida de contemplação e formas de excessiva espiritualidade em oposição à religião externa e formal. Esta interpretação contrasta a atitude das duas irmãs de uma maneira radical.
Embora nas atitudes de Maria e de Marta possamos notar dois tipos de tendências de serviço cristão: Marta representando os cristãos zelosos e activos nos trabalhos exteriores do reino de Deus e Maria representando as pessoas que gostam de calma e silenciosa adoração a Deus e de oração, precisamos de ter cuidado para equilibrarmos o nosso serviço cristão de modo a não exagerarmos nem para um lado nem para o outro. O nosso serviço a Deus e aos outros deve ser de uma constante mudança de ritmo e permeando-o com o sentarmo-nos aos pés do Senhor para conversarmos com Ele e ouvirmos a Sua palavra. Atém disso não precisamos de dividir as actividades em espirituais e não espirituais. Não precisamos também de fazer distinção entre o serviço cristão que os homens podem executar e que é vedado às mulheres. Lucas, ao relatar este episódio mostra à sua igreja que Jesus não faz distinção. Ele fala com quem se dispõe a ouvir, seja homem ou mulher.
Vamos ainda deter-nos um pouco com os últimos versículos deste episódio, referentes à resposta que Jesus deu a Marta. “Marta, Marta estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte a qual não lhe será tirada.” (v. 41 e 42). Nestas palavras de Jesus podemos ainda notar alguns elementos sobre o nosso serviço cristão.
A primeira chamada de atenção é que Jesus nos ama em todas as circunstâncias e ele compreende as nossas ansiedades e preocupações. Mas, para além disso admoesta-nos em relação à preocupação que resulta de não confiarmos em Deus e de não colocarmos em primeiro lugar aquilo que verdadeiramente deve estar em primeiro lugar: o nosso relacionamento com Ele e a nossa dependência da sua presença connosco.
Maria soube interromper o seu trabalho a tempo, para poder ouvir o Mestre, aproveitando aquela oportunidade única de ter Jesus tão perto; e isto é das coisas mais importantes. Os cuidados da vida, sejam eles quais forem, acabam por ter uma importância relativa.
Jesus chama-nos a uma vida de serviço, mas uma vida de serviço equilibrada. Uma vida de adoração, de culto, de ouvir a sua palavra a par de uma vida de serviço prático de hospedar, de convidar para uma refeição, de ajudar com as necessidades básicas das pessoas ao nosso redor.
É verdade que o serviço é um privilégio de todo o cristão. No entanto, muitas vezes, perdemos a verdadeira perspectiva nas actividades que realizamos.
Às vezes somos como Marta, atarefadas com muitas coisas, pensando que estamos a realizar o trabalho certo, no tempo que achamos que ele deve ser feito, preocupadas com aquilo que é a nossa visão do dever, envolvidas nas ocupações e funções que tradicionalmente nos são atribuídas. Isso é importante! Mas, não chega.
Maria, por seu lado, tinha uma visão mais larga. Sem deixar de cumprir a sua responsabilidade, ela desafiou os preconceitos e as regras sociais e religiosas existentes e foi sentar-se aos pés de Jesus. Uma mulher!!! Ela também foi sentar-se aos pés do Mestre como qualquer discípulo de um filósofo se sentava aos pés do seu mestre naquele tempo.
Jesus disse: “Maria escolheu a boa parte” (v.42). Ela descobriu a essência do serviço cristão: o equilíbrio entre o buscar de Deus a orientação da sua palavra, entre o estar em comunhão com Deus e receber o seu poder e o realizar as tarefas diárias que ajudarão os necessitados, os cansados e os que precisam de amigos.
Este exemplo de Marta e Maria que este texto bíblico nos apresenta deve ser para nós uma inspiração e um ideal. Não há ideal mais digno do que a escolha de uma vida de serviço a Deus. Foi este precisamente o propósito de Jesus: “o Filho do Homem veio para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20:28)
A igreja necessita de realizar uma grande variedade de tarefas. A igreja tem sempre oportunidades de serviço para todos os seus membros. Sejamos cristãos sábios que sabem utilizar o seu tempo, esforços e dons exactamente naquilo que é importante para o reino de Deus.
Muitas vezes estamos demasiado ocupados com o nosso trabalho, com a nossa casa, com os nossos afazeres que esquecemos o trabalho de Deus. Cuidado com a ansiedade com as coisas que nem serão assim tão necessárias em comparação com a nossa vida espiritual.
Muitas vezes estamos demasiado envolvidos com o que estamos a fazer na igreja que pensamos que mais ninguém se preocupa como nós, que ninguém liga, que é preciso chamar a atenção para que também façam igual a nós.
Busquemos a “boa parte”, o equilíbrio certo no serviço cristão, a pessoa dedicada para cada ministério, independentemente da idade, do género, etc. sem nos importarmos com as convenções e os preconceitos.
Busquemos servir a Jesus Cristo com toda a nossa energia, mas não esqueçamos que é importante “sentar” e “ouvir” a Sua palavra.
Este último número da nossa revista deste ano de 2013 é preparado com muita antecipação. Ainda estamos no início das férias de verão, com dias grandes e luminosos, e já pensando naturalmente no Natal, com dias de inverno, mais cinzentos e curtinhos. A dicotomia luz e trevas é uma das simbologias mais utilizadas na teologia cristã. É um tema muito natalício. Natal é luz e brilho; há luzinhas e enfeites iluminando as cidades, e que gozo dá ver as iluminações das ruas e fazer a árvore no lar mantendo-a iluminada, dia e noite.
Escrevo este editorial na volta das minhas férias no Dubai, onde usufruímos de um tempo especial com os filhos e os netos. Esta cidade é muito conhecida pela beleza dos seus altos edifícios construídos no deserto. E de entre os seus atractivos destaca-se, sem dúvida, o passeio “by night”, para ver a iluminação dos edifícios, e a visita à Dubai Fountain, de 275m, que é iluminada por 6.600 lâmpadas e 50 projectores coloridos, e que ao som da música apresenta um espectáculo de rara beleza.
É assim a luz. Quando brilha afasta a escuridão; quando brilha deslumbra; quando brilha atrai.
O tema “Brilhando mais e mais…” desafia-nos a, como cristãos, cumprirmos o propósito para o qual fomos criados e salvos. É uma afirmação que parte do princípio que o cristão brilha e que precisa de ser incentivado a continuar a brilhar e a brilhar cada vez melhor.
Teologicamente, a luz é um símbolo poderoso. A Bíblia apresenta-nos imensos exemplos de expressões literárias que são riquíssimas nos conceitos que transmitem. Registo aqui algumas afirmações que claramente nos mostram claramente que a LUZ, genuína, fonte, essência, que é Cristo, é que ilumina o mundo. E nós, que somos de Cristo, refletimos essa luz. Sim, quais astros, no nosso universo humano, devemos brilhar mais e mais…
“Falou-lhes Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (João 8:12) “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. (João 1:4-5)
“Vós sois a luz do mundo, não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte… Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5: 14, 16)“Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor, andai como filhos da luz” (Efésios 5:8)
Na prática: leiam neste número as reportagens e os testemunhos de pessoas e instituições que brilham com as suas vidas ao serviço de Deus. Socorro-me ainda, e para terminar, de uma citação de um livro que acabei de ler (“A Economia lá de casa” de João Martins, que é o Presidente da Associação para o Posicionamento Estratégico e Financeiro), e que dá conselhos às pessoas para enfrentarem a crise financeira que atravessamos e sobre a gestão dos seus orçamentos domésticos. Achei deveras interessante, porque este é mesmo um exemplo do papel a desempenhar pelos cristãos nesta sociedade tão corrupta e tenebrosa: Ele aconselha em primeiro lugar: “Regressar às virtudes habituais. Na crise vão ser feitas grandes distinções entre quem é de confiança e quem não é. Construa uma reputação sólida, como uma pessoa de honra e integridade. Numa crise estas pessoas serão autênticos diamantes aos quais a sociedade quererá agarrar-se. Seja um bom cidadão na sua freguesia ou cidade, um bom vizinho, e tente a todo o custo evitar ser envolvido em discussões e disputas que vão surgir por tudo e por nada neste período.”
Todos os colaboradores da revista vos desejam uma época natalícia iluminada pelas bênçãos sem fim que só Deus nos pode dar! Queremos que o novo ano vos traga o que há de melhor quer a nível pessoal, quer a nível familiar e social! Brilhemos mais e mais… para a glória de Deus e para o bem dos que vivem ao nosso redor.
“O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavamna região da sombra da morte resplandeceu a luz” (Isaías 9:2)
Não deve haver livro nenhum, sobre o qual se tenha escrito tanto, como a Bíblia. E, ainda assim, continua a ser fonte inesgotável de estudo, reflexão, e inspiração… Realmente, a Bíblia não é um livro qualquer. É a Palavra de Deus.
Este tem sido um ano de divulgação especial da Bíblia no nosso país. Estamos no auge do projecto da Bíblia Manuscrita, promovido pela Sociedade Bíblica Portuguesa e com o apoio de inúmeras organizações e personalidades. Que bom fazermos todo este movimento de valorização das Escrituras!
É que nos custa ver tanta ignorância e tanta superstição acerca da Bíblia num país que se diz cristão, integrado numa União Europeia que, em grande parte, valoriza a sua herança judaico-cristã na base da sua constituição.
Também nos custa ver o desconhecimento do conteúdo bíblico naqueles que deveriam ser profundamente conhecedores da herança de fé e da mensagem da salvação. Onde está o entusiasmo e a dedicação ao estudo da Bíblia? O que é que está a acontecer para que o povo de Deus se desleixe desta maneira e se omita do estudo bíblico sério e sistemático, ao domingo, na Escola Dominical?
Numa época em que as editoras e as livrarias promovem tantas “Bíblias” diferentes, com versões que a tornem acessível, com apontamentos e ajudas que a tornem compreensível, com tamanhos, cores, feitios e materiais para todos os gostos e todas as idades, custa ver que, na realidade, as pessoas não sabem mais da Bíblia, não a estudam mais…
Quantas famílias cristãs usam a Bíblia diariamente no lar? Quantas buscam a orientação bíblica para as suas relações e para as suas decisões? Quantas se preocupam em fazer da aprendizagem bíblica uma área fundamental para a vida de cada um dos seus membros?
Talvez esta seja a oportunidade de fazermos um movimento de valorização da Palavra de Deus na nossa própria vida! Vamos investigá-la, vamos escrevê-la, vamos memorizá-la, vamos conhecê-la… diariamente, com profundidade, com prazer!
Afinal, como pode alguém conhecer a Deus sem conhecer a Palavra de Deus? Eis o desafio para o novo ano que aí vem:
Leia a Bíblia toda! Vá sempre à EBD (Escola Bíblica Dominical)!
TEXTO PUBLICADO Revista do Lar Cristão – A Missionária 135 – Outubro a Dezembro 2004 Editorial, p.3
2012 foi o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações. Daí surgiu a ideia de dedicar um número da nossa revista ao tema da LONGEVIDADE, procurando abordar a temática do ponto de vista da velhice como a fase da vida de muitos desafios e oportunidades. Assim, seguimos a perspectiva que nos é dada no Portal do Envelhecimento: “O envelhecimento activo pode significar para as pessoas mais velhas a oportunidade de continuarem a trabalhar e partilharem as suas experiências, de continuarem a desempenhar um papel activo na sociedade e de viverem as suas vidas de maneira saudável, independente e preenchida.”
A Europa é já considerada o continente onde há mais idosos e Portugal envelheceu mais do que a média dos outros países da União Europeia. Este é um assunto que, sem dúvida, nos diz respeito. Uma boa notícia é, talvez, o facto de a medicina acompanhar cada vez mais este processo, descobrindo novas formas de responder ao envelhecimento com mais medidas de saúde, permitindo às pessoas viverem por mais tempo com a melhor qualidade de vida possível.
O envelhecimento é uma das mudanças mais difíceis para o ser humano. E por isso, aceitar as perdas provocadas pela idade e redescobrir novos caminhos de investimento do tempo, das energias e também da sabedoria adquirida ao longo da vida é um desafio que cada pessoa tem de enfrentar à medida que os anos vão passando. O Salmo 90:12 diz isto mesmo: “ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos corações sábios.”
A Bíblia fala-nos muitas vezes de longevidade. E é interessante como nos fala da vida longa como sendo uma bênção que Deus concede aos que andam nos Seus caminhos e, por outro lado, descreve a constatação de que há dificuldades e muitas limitações na idade avançada. Vejamos isto em apenas alguns textos:
Longevidade como bênção:
Salmos 91:15-16 – “Ele me invocará e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia, livrá-lo-ei e o glorificarei. Dar-lhe-ei abundância de dias, e lhe mostrarei a minha salvação” Outra versão bíblica diz: …Hei-de recompensa-los com uma vida longa e ficarão a conhecer a minha salvação”
I Reis 3:14 – E se andares nos meus caminhos, guardando os meus estatutos, e os meus mandamentos, como andou Davi teu pai, também prolongarei os teus dias”. Outra versão bíblica diz: “… conceder-te-ei também uma vida longa”.
Longevidade como dificuldade:
Salmos 90:10 –“A duração da nossa vida é de setenta anos; os mais fortes chegam aos oitenta, mas são anos difíceis e dolorosos.” Outra versão bíblica diz: …e se alguns pela sua robustez chegam a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado…”
Eclesiastes 12:1 e ss – “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: não tenho neles contentamento ….” Outra versão bíblica diz: “…enquanto não vierem os tempos difíceis e os anos em que vais dizer: não sinto gosto em viver…”
Aceitar os ciclos naturais da vida é uma tarefa que cabe a cada um – considerando a velhice como uma nova fase de vida e não o fim da existência – mas é verdade que para isso muito concorrem as ajudas que possam esclarecer e estimular. Aceitar com tranquilidade que o tempo passa e que em cada fase temos alegrias e dificuldades é também uma afirmação bíblica, como lemos em Provérbios 20:29: “O orgulho dos jovens está na sua força; a honra dos velhos está nos seus cabelos brancos.”
Que este número da nossa revista possa ser mais um instrumento de esclarecimento e de inspiração para cada leitor, seja qual for a sua idade e a sua esperança de vida.
Deixo-vos com as palavras de alguém que está empenhada em estimular-nos a viver esta fase de vida de maneira muito bonita.
Não se deixem perturbar muito…pelas circunstâncias á vossa volta! Tudo passa…tudo se resolve! Quero muito que apreciem o dom da vida. Deixem que vos diga: Continuo a achar que a vida é um precioso dom de Deus! Devagarinho ela vai passando… Ou melhor, nós vamos passando por ela! Acho fascinante viver! E o facto de eu poder pensar, reflectir, fazer escolhas e agir… dá-me alegria e prazer! (Viviana Leal)
TEXTO PUBLICADO Revista “LAR CRISTÃO” 164 – 2T2013
UNIAJ (União de Adolescentes e Jovens) da Igreja Baptista de Almada
O que é que movimenta as pessoas a servirem aos outros?
O que é que leva as pessoas a darem as suas vidas por certas causas?
Num mundo que se encontra cada vez mais mecanizado, e no qual as pessoas são cada vez mais egoístas no seu viver, as Nações Unidas acharam por bem estimular o serviço generoso ao próximo através do chamado ANO INTERNACIONAL DO VOLUNTARIADO.
Estamos a chegar ao fim desse ano especial.
Caminhamos muito rapidamente neste último trimestre. Procurámos estimular, através de testemunhos e artigos específicos, a necessidade de vivermos mais para os outros.
Será que este alvo perdurará para lá da passagem do ano?
É que temos em Jesus o supremo exemplo do dar-se aos outros por amor.
Ele mesmo disse: “Eu vim, não para ser servido, mas para servir e dar a minha vida em resgate de muitos.” (Marcos 10:45)
Apesar deste modelo, a quem somos desafiados a seguir e a imitar em estilo de vida e missão, quão longe estamos de desempenhar a nossa chamada para o serviço com dedicação e altruísmo!
Como é estranho que tantos cristãos procurem agregar-se a uma igreja onde possam ser servidos conforme as suas conveniências; como é triste que haja tantos cristãos que escolhem os servos que lhes possam dar bons sermões, que respondam prontamente às suas solicitações, que aceitem a toda a hora as razões que têm para fazer assim ou assado…
Na verdade, o crente em Cristo é um voluntário por natureza, pois a sua missão é praticar o amor, é dar-se aos outros, é ajudar o seu próximo, é esquecer-se de si mesmo para que os outros possam ver atendidas as suas necessidades.
Ano Internacional do Voluntariado para lá do ano 2001? Sim. Sempre! Na verdade a igreja deve ser um espaço/lugar de serviço e missão onde cada um tem o seu lugar para usar os seus dons e talentos na obra de Deus.
O que é que movimenta as pessoas a servirem aos outros?
Não será a causa de Cristo suficientemente grande para nos estimular a entregarmos a nossa vida para O servir?
Num mundo tão sofredor e necessitado torna-se urgente que cada cristão responda à chamada de Deus para servir com amor, voluntariamente e com dedicação, ao seu próximo.
ARTIGO PUBLICADO Revista do Lar Cristão – A Missionária 125 – Julho a Agosto de 2001